segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Mother", 2010, Joon-ho Bong


Aparentemente, Yoon Do-joon, rapaz de seus 18 anos, sofre de algum tipo de demência leve e mostra ser um rapaz sem um futuro muito brilhante. Sua Mãe ( Hye-ja Kim - ótima atriz) pratica acupuntura ilegalmente e finge para o vilarejo que trabalha numa loja de plantas – um retrato cabível ao que se passa nestes lugares isolados – falta de infra-estrutura, educação, etc, etc. Os dois vivem com pouco e Yoon passa vida vida fazendo merda, dando uma de arruaceiro e enchendo a cara. Sua mãe, como toda mãe, finge que não vê e o mima 24/7.

Eis que um dia ocorre um crime e, por fatalidade, uma bola de golfe de Yoon é encontrada ao lado do corpo da vítima. Yoon, assim, é acusado e preso. Sua mãe, então, sai numa frenética ‘busca pela verdade’ como sugere o título, e se depara com uma única verdade máxima – o instinto materno.

Yoon ao longo do filme alega não se lembrar do dia do crime – estava completamente bêbado – isto, ao mesmo tempo que dá certo suspense, torra o saco do espectador – o menino foi preso simplesmente por haver falta de provas que possam levar ao verdadeiro criminoso, e assim se tornou bode expiatório de um crime, onde os investigadores são a prova cabal de que naquele vilarejo tudo ainda é muito rústico e primário.

Muito bem dirigido, com bela fotografia e alguns planos interessantíssimos, Joon-ho Bong, o mesmo diretor do ótimo "Tokyo" (2008), e o esquisito "O Hospedeiro"(2006) capta bem o universo de um minúsculo vilarejo coreano e entrega um filme esteticamente impecável – porém dramaticamente arrastado e inconsistente. – Há um tempo enorme gasto com cenas com a mãe tentando descobrir quem é o culpado, uma resposta que esteve ali o tempo todo. Ao mesmo tempo que o diretor conduz o filme de maneira poética, bela e com imagens fortes, o mesmo torna o filme chato, lento e com um desfecho um tanto quanto previsível.

Pode ser visto em casa.

A dica não fica.

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